O Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, foi vivido com intensidade, espiritualidade e profundo sentimento de pertencimento na Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Toda a comunidade participou de um encontro marcado pela fé, pela memória e pela afirmação da identidade do povo negro.
A programação teve início com a Santa Missa presidida pelo pároco Frei João. A celebração foi permeada pela filosofia africana Ubuntu, que nos recorda: “eu sou porque nós somos”. Essa espiritualidade, que nasce da experiência coletiva, deu à celebração um tom de reencontro com as raízes, fortalecendo as identidades, memórias e a história de todos os presentes. Nesse abraço comunitário, mais uma semente de resistência e esperança foi lançada na terra fértil da vida — terra que guarda e revela os rostos, lutas e histórias de tantas gentes.
Celebrar 20 de novembro é honrar nossos ancestrais, reconhecer suas batalhas e afirmar que somos a diáspora que floresceu. Somos continuidade, somos resistência, somos memória viva dos nossos mais velhos. Que Negra Mariama siga iluminando nossos caminhos, nossas lutas e nossa existência.
Após a liturgia, o dia seguiu com momentos de convivência no salão e na quadra paroquial. A Pastoral Afro Negra Mariama preparou um delicioso angu para o almoço, complementado com partilhas trazidas pela comunidade. Foi um gesto simples, mas profundamente significativo: recordar que a comida é afeto, cultura, pertencimento e vida compartilhada.
O ambiente se transformou em um verdadeiro espaço de encontro e respiração coletiva. Uma exposição cultural apresentou fragmentos da rica memória do povo negro — livros, cocadas, objetos simbólicos — cada detalhe pensado como um abraço ancestral.
A programação cultural deu continuidade à celebração das raízes africanas por meio das artes. A Roda de Capoeira, com a energia da juventude que segue honrando e transmitindo saberes ancestrais, mostrou a força de uma herança que não se apaga. Ao mesmo tempo, o Projeto Sambart apresentou a história de Tia Ciata e do Samba, lembrando que essa tradição musical nasce do povo, da cultura e do chão onde pisamos.
Shayana Baptista dos Santos




