A Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Nilópolis, celebrou nesta terça-feira, 11 de agosto, a memória litúrgica de Santa Clara de Assis. A Celebração Eucarística ocorreu na igreja matriz e foi presidida por Frei Paulo Roberto Pereira, OFM, Ministro Provincial da Província da Imaculada Conceição do Brasil, e concelebrada por Frei João Reinert, OFM, pároco, e Frei Guimarães, OFM, vigário paroquial. A celebração também foi transmitida pelo canal de You Tube da paróquia, ampliando a participação dos fiéis que acompanharam a liturgia de suas casas e de outros lugares.
A celebração teve como centro o testemunho de Santa Clara, mulher que, há mais de oito séculos, encontrou no seguimento de Jesus Cristo o sentido de sua vida. Durante a celebração eucarística, a Pastoral do Teatro apresentou uma encenação em homenagem à santa, destacando sua bondade, capacidade de acolhimento e profundo amor a Deus.
Santa Clara: permanecer no Senhor para viver com liberdade
Em sua homilia, Frei Paulo destacou a espiritualidade de Santa Clara a partir de sua opção radical pelo Evangelho, pela pobreza e pela liberdade de permanecer em Deus. Para o sacerdote, a vida da santa continua sendo um convite para que cada pessoa reconheça a própria vocação e busque viver de acordo com aquilo que Deus deseja.
Ao recordar a trajetória de Clara, Frei Paulo ressaltou sua proximidade com São Francisco de Assis e sua decisão de abandonar uma vida marcada pela riqueza e pelas expectativas sociais para dedicar-se inteiramente a Cristo. A opção pela pobreza, segundo a reflexão apresentada na celebração, não significava simplesmente abrir mão de bens, mas assumir uma liberdade profunda: não se deixar possuir pelas coisas e reconhecer que a vida encontra sua plenitude em Deus.
A experiência de Santa Clara também foi relacionada ao Evangelho proclamado na celebração, especialmente ao chamado para permanecer no amor. “Permanecer no Senhor” foi apresentado como uma atitude que ultrapassa o âmbito da vida religiosa e alcança todos os cristãos, chamados a fazer de suas escolhas cotidianas uma resposta à vocação recebida de Deus.
Durante a homilia também recordou a presença da Família Franciscana na paróquia, com uma saudação especial à Ordem Franciscana Secular e à Juventude Franciscana. Frei Paulo destacou a importância de cultivar, o ideal franciscano e apresentou ainda os jovens Mateus e Alisson, que realizam na fraternidade a experiência do percurso “Vinde e Vede”, iniciativa de acompanhamento vocacional promovida pelos frades.
“Família, torna-te aquilo que és”
A celebração de Santa Clara também esteve inserida na programação da 30ª Semana Nacional da Família, que acontece neste mês de agosto.
Frei Paulo, durante sua homilia, chamou atenção para o lema da Semana Nacional da Família, inspirado na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: “O amor jamais acabará”. A partir da passagem bíblica, o frade recordou que o amor cristão não pode ser reduzido a uma palavra repetida de maneira superficial, mas precisa ser experimentado concretamente na paciência, na bondade, na solidariedade, no cuidado e no perdão.
A reflexão apresentou a família como um dos primeiros espaços onde a pessoa aprende a amar, a cuidar, a perdoar e a experimentar a fé. Diante das diferentes realidades familiares presentes na sociedade, o convite feito foi o de não perder de vista aquilo que constitui a essência da experiência familiar: o amor que permanece e se renova diante dos desafios da vida.
Nesse sentido, a Semana Nacional da Família foi apresentada não como uma programação destinada apenas a um determinado modelo de família, mas como uma oportunidade para que todos reconheçam sua responsabilidade na construção de relações marcadas pelo cuidado, pela fraternidade e pela fé.
Após a Missa, a comunidade participou, no salão paroquial, de um momento de reflexão sobre “A realidade e os desafios da família”.
A inspiração de Santa Clara para a Igreja
A trajetória de Santa Clara, apresentada também durante a celebração, recorda uma mulher que nasceu em uma família nobre de Assis, mas escolheu abandonar as riquezas e as expectativas de seu tempo para seguir radicalmente a Cristo. Aos 18 anos, deixou a casa paterna e iniciou, sob a inspiração de São Francisco, uma nova forma de vida marcada pela pobreza, pela oração e pela entrega a Deus.
Clara reuniu outras mulheres que desejavam viver o mesmo ideal evangélico, dando origem ao ramo feminino da Família Franciscana, posteriormente conhecido como Ordem de Santa Clara ou Ordem das Clarissas. Sua espiritualidade esteve profundamente marcada pela pobreza, pela humildade, pela caridade e pela contemplação de Cristo.
Sua vida também foi marcada por um profundo amor à Eucaristia, Clara dedicava longos momentos à oração diante do Santíssimo Sacramento e cultivava grande devoção ao mistério eucarístico.
Santa Clara morreu em 11 de agosto de 1253 e foi canonizada apenas dois anos depois, pelo Papa Alexandre IV. Sua vida permanece como testemunho de uma mulher que, a partir de uma pequena comunidade em São Damião, fez sua luz alcançar gerações de cristãos.
Ao celebrar sua memória, a Paróquia Nossa Senhora Aparecida demonstra também sua identidade franciscana: uma comunidade chamada a permanecer em Cristo, acolher, cuidar, viver a fraternidade e testemunhar o Evangelho nas realidades concretas da vida.
Confira imagens da celebração eucarística:
















Fotos: Pascom
